Inspiração, Artigos

Mulheres na arquitetura e urbanismo

Por: Sonia Ferreira

Ainda que mulheres sejam maioria na carreira e nos cursos de graduação, pouco se fala e se estudam mulheres dentro das faculdades de arquitetura e urbanismo. Acredita-se que essa falta de representatividade afeta diretamente a forma das cidades, onde há uma super-representação de homens – grande parte brancos e de meia idade – e uma baixa representação de mulheres, sobretudo as negras.

Pensando nisso, foi lançado a Revista Arquitetas Negras. A primeira revista brasileira com conteúdo pensado e produzido exclusivamente por arquitetas negras.

A temática da revista gira em torno da produção teórica, filosófica, e crítica desenvolvidas no trabalho de design de interiores, da arquitetura e do urbanismo. Considerando que, a produção de projeto envolve tanto questionamentos teóricos quanto aspectos regionais e culturais, e que ainda que não há publicações voltadas a este nicho especifico – que é o da produção da mulher negra na arquitetura e no urbanismo – a edição da revista visa abarcar os mais diversos estudos e projetos trazendo um panorama contemporâneo desta produção arquitetônica no brasil.

De fato, é animador ver as mulheres lutando para ampliar suas vozes dentro do urbanismo. Elas têm muito a dizer sobre o ambiente urbano. Até por que a diversidade é fator de extrema relevância dentro do planejamento urbano. E salutar! A integração de gênero significa garantir que as necessidades e experiências de homens e mulheres em seu ambiente de vida sejam consideradas em patamar de igualdade. Uma maneira binária de ver a equidade.

O projeto Arquitetas Invisíveis tem levantado essa questão. O motivo dessas mulheres continuarem invisíveis e o que podem fazer para mudar esse quadro. O projeto Arquitetas Invisíveis é um projeto sem fins lucrativos com o objetivo de apresentar, promover e homenagear o trabalho dessas grandes profissionais. O projeto teve início quando os fundadores tiveram dificuldade em acreditar que a participação feminina na arquitetura no século XX era tão baixa. Depois de pesquisar, eles descobriram que existem muitas mulheres arquitetas envolvidas em projetos importantes e que não ganham tanta atenção nacional ou internacionalmente.

Vamos conhecer um pouco dessas mulheres que vem quebrando barreiras na arquitetura e no urbanismo:

CARMEN PORTINHO

Carmem Velasco Portinho foi uma engenheira, urbanista e feminista brasileira, natural de Corumbá/RJ. Em 1919, lutou junto de Bertha Lutz e outras mulheres pelo direito ao voto. Foi vice-presidente e uma das co-fundadoras da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino. Ela foi a terceira mulher a se formar engenheira no país e a primeira a obter o título de urbanista.

Obras:

  • Atuou na elaboração e coordenação do projeto estrutural do Aterro do Flamengo no Rio de Janeiro;
  • ​Atuou na elaboração e coordenação do projeto estrutural do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro;
  • Construção do conjunto residencial Pedregulho, em São Cristóvão, Rio de Janeiro

RAQUEL ROLNIK

Arquiteta, mestra e urbanista brasileira, graduada pela Universidade de São Paulo em 1981, doutorada em Graduate School Of Arts and Science History Department – New York University. É Professora Titular da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP. Foi Diretora de Planejamento da cidade de São Paulo durante a gestão da Luiza Erundina e secretária nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades de Lula. Por seis anos, até 2014, foi relatora especial da ONU para o Direito à Moradia Adequada.

É autora dos livros:

  • Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças;
  • O que é Cidade – Coleção Folha Explica;
  • A Cidade e a Lei – legislação, política urbana e territórios na cidade de São Paulo

Publicou diversos artigos sobre a questão urbana. Colaborou com a Folha de S.Paulo e mantém o Blog da Raquel Rolnik e página do Facebook onde escreve regularmente sobre questões urbanas. Escreve para a coluna semanal da Rádio USP.

ROSA KLIASS

Rosa Grena Kliass, arquiteta paisagista brasileira, considerada uma das mais importantes na história do Paisagismo Brasileiro Moderno e Contemporâneo. Entre suas obras mais significativas estão a reforma do Vale do Anhangabaú e o projeto paisagístico do Parque da Juventude, ambos na cidade de São Paulo. Foi ganhadora de inúmeros prêmios nesta área. Sagrou-se também como consultora de diversos órgãos estatais, autora de vários trabalhos publicados no país e no exterior.

Para Rosa Grena Kliass, arquiteta pioneira do Paisagismo no Brasil, a descoberta de sua vocação foi obra de um encontro no último minuto e de um amor à primeira vista.

Principais obras:

  • Plano Preliminar Paisagístico de Curitiba, Paraná;
  • Áreas Verdes Recreação para o Município de São Paulo;
  • Estudos de Áreas Verdes e Espaços Abertos da Cidade de Salvador;
  • Plano da Paisagem do Município de São Luís/MA;
  • Projeto Paisagístico da Avenida Paulista – SP;
  • Reurbanização do Vale do Anhangabaú – SP;
  • Parque Halfeld – Juiz de Fora – MG;
  • Parque Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG;
  • Parque do Abaeté – Salvador – BA;
  • Parque de Esculturas – Salvador – BA;
  • Parque da Residência – Belém – PA;
  • Estação das Docas – Belém – PA;
  • Feliz Lusitânia, Forte do Castelo – Belém – PA;
  • Pátios do Museu de Arte Sacra – Belém – PA;
  • Parque da Juventude – São Paulo – SP

LINA BO BARDI

Foi uma foi uma arquiteta modernista ítalo-brasileira. É conhecida por ter projetado o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e foi casada com o crítico de arte Pietro Maria Bardi.

Lina Bo Bardi nasceu em Roma, cidade onde viveu vários anos, e cursou faculdade de arquitetura. Sua história começou a mudar quando ela se mudou para Milão, onde trabalhou com Giò Ponti, arquiteto renomado na época. Lina foi conhecida por ser uma grande pensadora. Passava horas refletindo e anotando tudo que via ao redor da cidade e usava experiências da vida antes de fazer qualquer desenho à mão. Foi uma das poucas arquitetas que conseguiu unir o moderno ao popular. Ela mostrou que o moderno pode se unir com o simples, com o plural. Usou muito da cultura em suas obras, assim como sentimentos melancólicos e impulsos revolucionários e políticos. Uniu a antropologia à arquitetura. Acreditava que um espaço era algo vivido e não somente números e plantas. Foi arquiteta, artista plástica, cenógrafa, professora e muito mais.

Obras:

  • Casa de Vidro – Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi, São Paulo. (originalmente a residência do casal e hoje sede do Instituto idealizado por eles);
  • Museu de Arte de São Paulo, considerada sua obra prima;
  • Casa do Chame-Chame, Salvador – BA;
  • Casa Valéria Cirell, São Paulo;
  • Solar do Unhão – Museu de Arte Moderna da Bahia em Salvador;
  • Igreja do Espírito Santo do Cerrado, Uberlância – MG;
  • SESC Pompéia – Fábrica, São Paulo;
  • Reforma do Teatro Politeama em Jundiaí;
  • Teatro Oficina, São Paulo

CHARLOTTE PERRIAND

Nascida em 1903, na França, a arquiteta Charlotte Perriand formou-se em seu país de origem e viveu até 1999. Atuou profissionalmente não só na sua terra natal, mas também no Japão, no Vietnã e no Brasil.

Charlotte Perriand é conhecida pelo seu trabalho em parceria com o arquiteto Le Corbusier. No início de sua carreira, após se candidatar para uma vaga no escritório do já famoso arquiteto e ser rejeitada com a famosa frase “Nós não empregamos bordadeiras aqui”, Charlotte Perriand reformou seu apartamento com um grande móvel em alumínio, vidro e cromo. Expôs esse trabalho em um salão e recebeu reconhecimento, inclusive do parceiro de Le Corbusier, Pierre Jeanneret. Os arquitetos reconsideraram sua decisão e a contrataram para projetar o mobiliário e o interior de seus projetos.

A partir dos anos 30, Perriand passou a focar seu trabalho em interesses sociais, em busca de projetos igualitários e populares. Participou de algumas associações de artistas, sendo mais tarde uma das fundadoras da União de Artistas Modernos.

Projetos:

  • 1928 – “B306 Chaise Longue”;
  • 1954 – “Chaise Ombre”;
  • 1957 – Escritório Air France;
  • LC2 Grand Confort;
  • LC7 Swivel Chair

JOICE BERTH

Joice Berth é arquiteta e urbanista formada pela Universidade Nove de Julho e pós-graduada em direito urbanístico pela PUC de Minas Gerais. Desde o início, sua trajetória profissional na arquitetura se relaciona com o interesse pela atuação política e, hoje, Joice trabalha como assessora parlamentar. Também desenvolve pesquisas sobre questões raciais e de gênero e, em 2018, lançou o livro “O que é empoderamento?” pela editora Letramento. É colunista do portal “Justificando” e do site “Nó de oito”.

Trajetória de Joice Berth:

Formou-se tarde, como grande parte das mulheres negras no Brasil. Ainda no período de estágio foi trabalhar em uma grande empresa de engenharia social de São Paulo, que tinha projetos muito interessantes, fazendo parte da equipe de regularização fundiária. Trabalhou em outros projetos também nessa área (regularização fundiária), mas focada em urbanismo e direito urbanístico. Se especializou em Direito Urbanístico pela PUC de Minas Gerais. Trabalhou com remoção de famílias em áreas de risco, desapropriação, avaliação de imóveis. Dedicou-se à pesquisa sobre gênero, raça e cidades. Por conta das pesquisas, acabou se engajando na militância e ganhando visibilidade.

CARLA JUAÇABA

Carla Juaçaba ficou conhecida como a “arquiteta brasileira que chamou a atenção do mundo para a sustentabilidade.” Considerada uma das mulheres mais importantes da arquitetura brasileira, seu talento foi conhecido pelo mundo em 2013, quando foi contemplada com o prêmio da primeira edição do ArcVision – Mulheres e Arquitetura.

Já expôs seu trabalho com grandes nomes da arquitetura como Eduardo Souto de Moura e Norman Foster. Foi palestrante convidada na Harvard Graduate School of Design, na Universidade de Toronto e na escola de arquitetura da Universidade de Columbia. A sensibilidade da arquiteta, presente em sua fala tranquila, aparece em seus projetos que misturam tecnologia, sustentabilidade e responsabilidade social.

Principais obras:

  • Em 2012 projetou o Pavilhão Humanidade 2012, concebido com a diretora Bia Lessa para a Conferência das Nações Unidas sobre Sustentabilidade Rio + 20;
  • Em 2018 foi convidada pelo Vaticano para projetar um pavilhão na Bienal de Arquitetura de Veneza

KAZUYO SEJIMA

A arquiteta Kazuyo Sejima nasceu no Japão em 1956. Formou-se no seu país de origem, onde também atua profissionalmente. Possui ainda projetos em outros países, como Holanda, EUA, França, Alemanha e Espanha. Em 1992, foi nomeada como arquiteta do ano no Japão. Em 1995, iniciou sua parceria com o também arquiteto Ryue Nishizawa. Juntos fundaram o escritório de arquitetura SANAA, onde desenvolveram uma série de edifícios inovadores, dentre os quais podemos destacar o Centro de Aprendizado Rolex na Suíça e o Novo Museu de Arte Contemporânea em Nova Iorque. Em 2010, ganharam juntos o Prêmio Pritzker, um dos mais importantes prêmios de arquitetura do mundo. Kazuyo possui ainda uma carreira acadêmica. Foi professora na Universidade de Princeton, Estados Unidos, na Politécnica de Lausanne, Suíça, e nas Universidades Keio e Tama Art, no Japão.

Projetos:

  • Casa Kitagata, Japão;
  • Casa Shibaura, Japão;
  • Centro de Aprendizado Rolex, Lausanne – Suiça

ZAHA HADID 

Foi uma arquiteta iraquiana-britânica identificada com a corrente desconstrutivista da arquitetura. Formou-se em matemática na Universidade Americana de Beirute. Após se formar, passou a estudar na Architectural Association de Londres. Depois de se graduar em arquitetura, tornou-se membro do Office for Metropolitan Architecture (OMA), trabalhando com seu antigo professor, o arquiteto Rem Koolhaas. Em 1979, passou a estabelecer prática profissional própria em Londres. Na década de 1980, também lecionou na Architectural Association.

Grande parte da obra de Zaha Hadid é conceitual. Entre seus projetos executados estão:

  • Vitra Fire Station (1993), Weil am Rhein, Alemanha;
  • Centro Rosenthal de Arte Contemporânea (1998), Cincinnati, Ohio, EUA;
  • Terminal Hoenheim-North & estacionamento (2001), Estrasburgo, França;
  • Bergisel Ski Jump (2002), Innsbruck, Áustria;
  • Centro Aquático de Londres (2011), Londres, Inglaterra

Zaha Hadid também realizou trabalhos de interiores alto-padrão, incluindo a Zona da mente no Domo do Milênio em Londres.

Vencedora de diversas competições internacionais, alguns de seus projetos vencedores nunca foram construídos: notavelmente The Peak Club em Hong Kong (1983) e a Ópera da Baía de Cardiff em Gales, 1994.

Em 2004, Zaha Hadid se tornou a primeira mulher a receber o Prêmio Pritzker de Arquitetura, atribuído pelo conjunto de sua obra. Anteriormente também fora premiada pela Ordem do Império Britânico pelos serviços realizados à arquitetura. Em 2015 ela quebrou a hegemonia masculina, ao ser laureada com a medalha de ouro do Royal Institute of British Architects.

DENISE SCOTT BROWN

Denise Scott Brown é uma arquiteta, urbanista, professora e escritora americana, é também membro principal da empresa Venturi, Scott Brown and Associates, situada em Filadélfia. Denise Scott Brown e o seu segundo marido e sócio, Robert Venturi, são considerados, entre outros, como os arquitetos mais influentes do século XX, tanto pela vertente de arquitetura como planeamento urbano, bem como pela escrita teórica e ensino.

Conhecida como uma grande estudiosa no campo de planeamento urbano, lecionou aulas na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e foi nomeada co-presidente do Programa de Design Urbano da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Mais tarde deu aulas na Universidade de Yale e em 2003 foi professora convidada ao lado de Venturi na Graduate School of Design, da Universidade de Harvard. Durante os seus anos no sudoeste dos Estados Unidos, Denise mostrou um particular interesse nas cidades mais recentes de Los Angeles e Las Vegas.

CARME PIGEM

Carme Pigem Barceló é uma arquiteta espanhola. Membro da firma RCR Arquitectes, recebeu o Prêmio Pritzker de 2017, juntamente com seus colegas Ramón Vilalta e Rafael Aranda. Entre 1977 e 1979 estudou na Escuela de Bellas Artes de Olot, obtendo em 1987 a graduação em arquitetura na Escuela Técnica Superior de Arquitectura del Vallés (ETSA Vallés. Entre 1992 e 1999 trabalhou como professora de projetos arquitetônicos na ETSA Vallés e foi membro do corpo de examinadores dos exames finais de 1995 a 2004. De 1997 a 2003 foi professora de projetos arquitetônicos da Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Barcelona (ETSAB) e membro do corpo de examinadores em 2003. Desde 2005 é professora visitante no Departamento de Arquitetura do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, Suíça.

AMAZA LEE MEREDITH 

Amaza Lee Meredith, arquiteta, educadora e artista afro-americano. Meredith foi incapaz de entrar na profissão de arquiteta por causa de sua raça e seu sexo. Trabalhou principalmente como professora de arte no Virginia State College, onde fundou o departamento de arte. Ela é mais conhecida por sua residência, Azurest South, onde ela e sua parceira, Edna Meade Colson, moravam juntas. Meredith nasceu em Lynchburg, Virginia.

Apesar de não ter nenhum treinamento formal em arquitetura, Meredith projetou muitos lares para a família e amigos em Virginia, Nova York e Texas. Seu primeiro edifício foi o Azurest South, que foi concluído em 1939 e foi totalmente projetado por Meredith. O Azurest South é considerado um exemplo raro do Estilo Internacional da Virgínia e demonstra seu interesse pelo design de vanguarda. Meredith também usou o Azurest South como seu próprio estúdio de arte. Ela foi ativa em documentar seu estilo de vida e realizações no Azurest através de fotografias.

Em 1947, Meredith começou a desenvolver uma subdivisão de 120 lotes em Sag Harbor, chamada Azurest North. Para desenvolver Azurest North, ela e suas amigas criaram um grupo chamado Azurest Syndicate, que trabalhou para criar uma comunidade afro-americana de lazer. Terry Cottage e Edendot foram ambos projetados por Meredith. Foi também uma inventora recebendo uma patente de um acessório para ser anexado a uma bolsa de golfe.

Na década de 1970, Meredith desenhou logotipos para serem usados ​​para uma proposta de mudança de nome para a Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP).

GEORGIA LOUISE HARRIS BROWN

Arquiteta americana nascida em 1918. Trabalhou com Mies van der Rohe em projetos estruturais e também ajudou no projeto do parque do Ibirapuera em São Paulo, Brasil. Sua carreira foi marcada por episódios de racismo e sexismo e, por causa desse preconceito, mudou-se para o Brasil em 1954. Foi a única arquiteta – de qualquer gênero – a aparecer na lista anual das 100 pessoas mais influentes da revista TIME.

 

A vida prospera na diversidade – economicamente, socialmente e culturalmente – e isso significa tanto a diversidade daqueles que estão tomando as decisões quanto a diversidade das comunidades que fazem do mundo o que ele realmente é. Que abram-se as portas para mais e mais mulheres na arquitetura e urbanismo!

Inspiração

A Importância de uma Boa Iluminação nos Projetos de Arquitetura

Um projeto de arquitetura depende de inúmeros fatores que vão muito além de divisão de cômodos e disposições de móveis. Para que a obra possa ficar perfeita, que é o objetivo de todo arquiteto dedicado, cada detalhe conta.

Portanto, ao se projetar uma casa ou mesmo espaços internos, é imprescindível pensar nos aspectos naturais, como tipo de solo, clima, temperatura, localização geográfica, percurso do Sol, sentido dos ventos, as vistas para o entorno, e a iluminação.

Este último é importantíssimo, desde a concepção de um projeto arquitetônico ou de interiores, até a finalização da obra, pois ela que a deixará mais harmônica, funcional e econômica. Por vezes, ela pode ditar todo o contexto e disposição de certos objetos, sendo a peça chave para aquele ambiente.

É preciso levar em conta dois tipos de iluminação: a natural e artificial. Uma complementa a outra, fazendo com que ambas sejam essenciais em projetos de arquitetura e de interiores.

A Importância de uma boa iluminação nos projetos de arquitetura

Os tipos de iluminação

Um bom arquiteto deve pensar em todos os aspectos do projeto arquitetônico ou de interiores e saber reconhecer todos as características da iluminação natural ou artificial.

Afinal, a luz pode transmitir diversos sentimentos e sensações. Por exemplo, se o ambiente for mais intimista, a luz mais fraca, leve, proporcionará a sensação de calma, vontade de dormir, descansar.

Caso seja mais clara, forte, transmitirá alegria, energia, fazendo despertar ou deixar em alerta, ideal para cozinhas e escritórios.

Ao pensar em iluminação, também deve-se levar em conta tudo o que compõe o ambiente, como disposição dos móveis e também a textura das paredes, se são rugosas, lisas, coloridas, monocromáticas, etc.

Afinal, é preciso saber quanto de luz projetar em cada objeto decorativo, parede, móveis, dentre outras que merecem a atenção para deixar o ambiente mais harmonioso.

Confira no vídeo os principais efeitos de uma boa iluminação:

Iluminação natural

Quando se inicia um projeto arquitetônico, é preciso entender que a luz natural é muito importante.

Para tal, antes mesmo de iniciar o projeto, deve-se analisar todos os aspectos relacionados à localização do terreno, para onde apontam norte e sul, onde o Sol nasce e se põe, os diferentes movimentos do Sol ao longo do ano, as sombras da edificação que está sendo projetada e das edificações do entorno, para que cada cômodo da casa/prédio/estabelecimento seja devidamente favorecido pela luz natural e que não atrapalhe as pessoas no local.

Por exemplo, priorizar para que o sol possa bater no quarto preferencialmente pela manhã ou pelo menos à tarde, bem como as áreas sociais também recebam o sol.

Ou, certificar-se de que, ao assistir TV, a luz do sol não atrapalhe quem assiste. Além disso, enquanto a cozinha deve ser um lugar mais arejado, para que se possa cozinhar melhor, a lavanderia precisará do efeito direto do sol para que as roupas sequem rapidamente.

E mais, considerar o melhor local para a piscina e solário, preferencialmente onde se possa receber sol o dia todo.

Desta forma, na hora de projetar as aberturas de janelas e portas externas, é preciso se atentar aos tamanhos e como a luz irá incidir e refletir nos ambientes em cada momento do dia.

Afinal, o Sol se movimenta durante o dia, iluminando de diferentes formas, é sendo dever do arquiteto saber usar isso para favorecer o projeto da casa ou edificação

Um fator também importante é o chamado solstício, o momento em que o Sol atinge a maior declinação em latitude, medida a partir da linha do equador. Os solstícios ocorrem em dezembro e em junho.

A chegada do solstício marca a chegada das estações, sendo que no hemisfério sul ocorre por volta do dia 21 de junho, marcando a chegada do inverno e a chegada do verão por volta do dia 21 de dezembro. E, no hemisfério norte, ocorre o contrário, a chegada do verão acontece em junho e a do inverno acontece em dezembro.

Entender como o movimento do Sol se comporta ao longo do ano por meio das estações e solstícios, é tão importante quanto entender o seu movimento durante o dia. Por exemplo, no hemisfério sul quando estamos no inverno, o Sol está mais inclinado para o norte, enquanto que quando estamos no verão, no meio dia ele está mais a pino.

Sendo que, no hemisfério norte, acontece o contrário. E mais, até mesmo o ponto que o Sol nasce no leste ao longo das diferentes estações do ano, não é o mesmo e deve ser compreendido pelo arquiteto. Por isso, acima, explicamos que se deve preferencialmente expor, no hemisfério sul, as piscinas e solários para o norte, aproveitando melhor o Sol também durante o inverno.

Portanto, como você pode perceber, os fenômenos e elementos naturais interferem no projeto arquitetônico. Isso pode ser positivo ou negativo, dependendo do planejamento do arquiteto, da escolha do terreno, dos materiais utilizados. Afinal, cada detalhe conta e cada um deles faz toda a diferença.

A Importância de boa iluminação nos projetos de arquitetura

Iluminação artificial

Para uma iluminação a base de luz artificial perfeita, é preciso entender para que serve cada tipo de lâmpada e em qual ambiente será melhor instalá-la.

Por exemplo, a iluminação da cozinha não deve ser igual a do quarto, enquanto um precisa de uma luz mais intensa forte, para realizar as tarefas que exigem atenção e alerta, o outro precisa de uma luz mais leve, pois deve ser aconchegante e tranquilo para que as pessoas possam descansar ou dormir, planejando eventualmente, pontos específicos para auxílio de leitura, como abajur, arandelas ou pendentes sobre o criado mudo.

A grande vantagem da iluminação artificial é alcançar locais que a natural não alcança, valorizando fachadas, jardins, piscinas, monumentos, museus, galerias, escritórios, restaurantes, além de poder controlar a quantidade de luz no ambiente ou em pontos específicos.

Atualmente, existem muitas opções de lâmpadas no mercado. As opções variam desde escolha por tamanho, cor, economia, design, potência, durabilidade e segurança, tudo vai de acordo com o que cada cômodo ou artefato precisa. Além disso, é importante saber escolher a iluminação de sua casa, pois, pode reduzir o consumo de energia, economizar dinheiro e contribuir com o meio ambiente.

As mais comuns são: incandescente, fluorescente e LED, sendo que, esta última é a melhor opção, não só por questões estéticas, mas principalmente econômicas, sustentáveis e vida útil.

Afinal, enquanto uma lâmpada comum de 60 watts tem mil horas de vida e a lâmpada econômica (fluorescente compacta) tem 15 watts e oito mil horas de vida, a lâmpada de LED equivalente tem 11 watts e 30 mil horas de vida. Sendo uma opção 25 vezes mais econômica, gerando menor manutenção.

Além disso, emitem menos calor que as outras, são eco-sustentáveis, recicláveis e não emitem raios infravermelho e ultravioleta, sendo também uma opção melhor para a saúde.

Com as diferentes opções de iluminação que temos hoje, é possível executar um projeto harmônico, sofisticado e detalhista, de forma mais econômica e consciente, e com maior facilidade de instalação, já que existem diversos modelos prontos LED que não dependem de reatores e transformadores, que possibilitam a criação de efeitos e cenas, onde quiser, mesmo em lugares que tenham umidade, interferência da chuva ou dentro d’água.

Afinal, as lâmpadas LED são mais duráveis e resistentes e, as dimerizáveis, podem ser controladas através de dimmers, para emitir a intensidade de luz desejada, deixando a obra e os elementos internos muito mais valorizados, bem como os ambientes mais aconchegantes e funcionais.

Fatores que tornam a iluminação artificial importante para a arquitetura

  • Decoração: A combinação da luz artificial com a natural podem deixar o ambiente muito mais bonito. Instalando os tipos de lâmpadas certos em locais favoráveis, é possível valorizar o ambiente, dando impressão de mais espaço ou destacando artigo de decoração. Além disso, é possível controlar a intensidade da luz de acordo com a iluminação externa e necessidade do ambiente, criando vários cenários de decoração.
  • Conforto: Durante a execução do projeto, é possível instalar sistemas que deixem a luz automatizada, trazendo mais conforto aos usuários, que podem controlá-la por painéis nas paredes ou mesmo aplicativos pelo celular, além de criar diferentes cenários, diminuir ou aumentar a intensidade e também iluminar apenas um ponto, como em momentos de leitura ou outras atividades manuais. Com a automação dos cenários, se pode escolher as opções que mais te agradam, por exemplo, acendendo diferentes circuitos de lâmpadas ao mesmo tempo numa única cena, trazendo maior praticidade e conforto.
  • Bem-estar: Todo o design de interiores em si pode passar a sensação de bem-estar para quem se encontra no ambiente. Com a iluminação isso não é diferente, pois espaços corretamente iluminados, não somente com relação à intensidade e temperatura de cor, mas também com relação aos tipos de lâmpadas, localização das luminárias e design geral da iluminação e das luminárias, traz bem-estar, aconchego e funcionalidade para todos os espaços, valorizando e complementando o design de interiores.
  • Economia: Durante o projeto, é possível prever lâmpadas LED, que iluminam melhor, são mais econômicas, mais práticas para instalar, pois podem dispensar reatores e transformadores, podem ser dimerizáveis e automatizadas, são recicláveis e têm maior vida útil, demandando menor manutenção. Sem sombra de dúvida, proporcionam excelente custo benefício, já que são baratas por todas as vantagens expostas.

Como pôde ver, a iluminação não poderá ficar de fora do processo criativo do projeto arquitetônico ou de interiores da sua casa ou apartamento.

Por isso, destacamos a importância de se trabalhar com um profissional especializado para executar o seu projeto de arquitetura ou de interiores e acompanhar a sua obra, de forma que todos esses aspectos apresentados possam ser solucionados pelo profissional da melhor forma possível para você, garantindo um melhor design, funcionalidade, qualidade, economia e durabilidade.

Gostou desse post? Continue acompanhando nosso blog para saber mais dicas sobre arquitetura!

Inspiração

Arquitetura, Engenharia e Design de Interiores, você sabe a diferença?

Sou arquiteto… sou designer de interiores… sou engenheiro…

Com certeza você já ouviu alguém dizer que exerce uma dessas profissões. Entendeu mais ou menos o que cada um faz, mas no fundo achou que era tudo a mesma coisa, certo?

Além disso, isso tudo te deixou ainda mais confuso quando precisou de um desses profissionais para lhe prestar algum serviço, seja para projetar um prédio, uma casa ou decorar cada ambiente, fazendo você perder tempo, dinheiro e também a paciência.

Afinal, qual a diferença entre engenheiro, arquiteto e designer de interiores?

 Pensando em tudo isso, fizemos esse post para esclarecer a diferença entre os três, exaltando suas funções, características e que tipos de serviços podem prestar para você. Confira:

O Engenheiro

Esse profissional tem como objetivo calcular e projetar estruturas e instalações, bem como gerenciar e executar obras. Sua função é elaborar construções e reformar casas, prédios, viadutos, estradas, dentre outras coisas.

De modo geral, o engenheiro usa seus conhecimentos para resolver, adaptar, desenvolver e aperfeiçoar mecanismos, produtos, estruturas e processos para atender as necessidades da sociedade. Em outras palavras, ele resolve problemas em relação à civilização, além de gerir equipes em grandes projetos, para que a obra tenha o acompanhamento necessário e seja concluída com sucesso.

Ele é o profissional preparado para acompanhar passo a passo a obra, analisando e decidindo qual a base necessária para o local, de acordo com as características do terreno, levando em consideração as mudanças de temperatura, vento e resistência dos materiais utilizados. Além disso, é função do engenheiro apontar as especificações de rede elétrica e hidráulica, se atentando também a prazos, custos, segurança e qualidade.

O Arquiteto

Esse profissional organiza e projeta espaços visando as normas, funcionalidade, conforto e composição. É o profissional mais habilitado, preparado e especializado para executar os projetos arquitetônicos, sempre com foco no uso do imóvel, considerando a disposição dos móveis, ventilação, iluminação, além de aspectos de sustentabilidade. Ou seja, o arquiteto é quem planeja e organiza os espaços internos e externos onde as pessoas vão morar, trabalhar e ter seu lazer, como em casas, prédios, museus, cinemas e teatros,

Desta forma, ele executa o projeto arquitetônico, coordena todos os projetos complementares, como estrutural, instalações, paisagismo, bem como a construção ou reforma de casas, edifícios e imóveis em geral, determinando desde os materiais que serão utilizados na obra até as equipes de execução, que incluiria as equipes de engenharia.

Um ponto diferenciador do arquiteto para o engenheiro, é que seus projetos são voltados para a parte da composição com a escala humana e, principalmente, de preservação do meio ambiente, aliando a harmonia, normas, conforto e funcionalidade de forma ecológica.

O Designer de Interiores

Como o próprio nome já diz, o designer de interiores projeta e estrutura ambientes internos, sempre visando o conforto e a funcionalidade. Ou seja, este profissional tem a função de planejar e organizar espaços, combinando os diversos elementos de um ambiente de forma harmoniosa.

Com isso, ele procura dispor em um único espaço os móveis, objetos e acessórios, incluindo cortinas e tapetes, planejando suas cores, materiais, acabamentos e iluminação, de acordo com o ambiente e o projeto selecionado.

Para tal, ele está sempre em contato arquitetos, marceneiros, pedreiros, pintores e eletricistas. Por isso, torna-se responsabilidade dele administrar cronogramas, prazos, orçamentos e o trabalho de marceneiros, pintores e eletricistas. Uma desvantagem, é que esse profissional não é habilitado para quebrar paredes e executar obras, somente os acabamentos de pintura, mobiliário e decoração.

Em obras de médio e grande porte, na maior parte das vezes o mais indicado é uma equipe multidisciplinar composta por arquitetos e engenheiros, aliando ambos os conhecimentos e especialidades.

Esse post foi útil para você? Esclareceu todas as suas dúvidas? Comente para nós o que achou!

Inspiração

Hoje, Le Corbusier faria 128 anos!

Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido pelo pseudónimo de Le Corbusier (La Chaux-de-Fonds, 6 de Outubro de 1887 — Roquebrune-Cap-Martin, 27 de Agosto de 1965), foi um arquiteto, urbanista, escultor e pintor de origem suíça e naturalizado francês em 1930.Leia Mais